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sábado, 23 de agosto de 2014

APRENDI A CANTAR A NATUREZA, PESQUISANDO A HISTÓRIA DO SERTÃO

APRENDI A CANTAR A NATUREZA
PESQUISANDO A HISTÓRIA DO SERTÃO.
AUTORES: VALDIR TELES E RAIMUNDO CAETANO.

APRENDI A CANTAR VENDO UM CHIQUEIRO
ENTUPIDO DE BODE E DE MARRAN,
UM VAQUERIRO ORDENHANDO DE MANHÃ,
UM SUINO FUÇANDO NO TERREIRO,
VINTE OU TRINTA GALINHAS NO POLEIRO,
UM BICHANDO DORMINDO NUM FOGÃO,
UM JUMENTO ESPOJANDO NO OITÃO
E UM CACHORRO DEBAIXO DE UMA MESA
APRENDI A CANTAR A NATUREZA
PESQUISANDO A HISTÓRIA DO SERTÃO.

NO SERTÃO A FARTURA AS VEZES DOBRA
QUANDO A MÁQUINA DA CHUVA FUNCIONA,
MILHO VERDE, JERIMUM, FEIJÃO, MAMONA,
TODA CASA DO SÍTIO TEM DE SOBRA.
QUANDO O TEJO É MORDIDO PELA COBRA,
METE O DENTE NO TRONCO DE UM PEÃO,
RECEBE O LEITE QUE SERVE DE INJEÇÃO
CONTRA O LÍQUIDO QUE A COBRA TEM NA PRESA
APRENDI A CANTAR A NATUREZA
PESQUISANDO A HISTÓRIA DO SERTÃO.

APRENDI VENDO AS SERRAS CACHIMBANDO
E OS ANÕES CAMINHANDO ATRÁS DO GADO,
BARRO E LAMA NAS LÂMINAS DO ARADO
E UMA VACA LEITEIRA RUMINANDO,
A BONECA DE MILHO ENCABELANDO
UNS TRÊS PALMOS ABAIXO DO PENDÃO
URUBUS NAS ESTACAS DE PLANTÃO
PRA FAZER A MERENDA E A LIMPEZA
APRENDI A CANTAR A NATUREZA
PESQUISANDO A HISTÓRIA DO SERTÃO.

EM LAGOA, RIACHO, RIO E POÇO
A TRAIRA CONSTRÓI SUA MORADA
SE A QUINTURA DO SOL NÃO LHE AGRADA
O PURÃO DO AÇUDE É UM COLOSSO
É O PEBA UM TRATOR DE CARNE E OSSO
FAZ LAVANCA DA UNHA E CAVA O CHÃO
PRA FAZER SUA PRÓPRIA CONSTRUÇÃO
SEM GASTAR UM CENTAVO DE DESPESA
APRENDI A CANTAR A NATUREZA
PESQUISANDO A HISTÓRIA DO SERTÃO.

APRENDI COM A LUTA DA SAUVA,
OS CAROÇOS DO CORPO DE UMA PINHA,
A QUIXABA MADURA, BEM PRETINHA
PARECENDO A VESTE DE UMA VIUVA
A FARTURA TRAZIDA PELA CHUVA
QUE PASSOU ACABANDO A SEQUIDÃO
DANDO UM BASTA NAS CRISES DO VERÃO,
DESMONTANDO O CENÁRIO DE TRISTEZA
APRENDI A CANTAR A NATUREZA
PESQUISANDO A HISTÓRIA DO SERTÃO.

LÁ TEM COISA QUE A GENTE SÓ PERCEBE
CONTEMPLANDO A SUPREMA ENGENHARIA
NINGUÉM VER UMA BURRA DANDO CRIA
NEM GALINHA URINAR DEPOIS QUE BEBE
A DSCARGA DA LUZ QUE O CÉU RECEBE
QUANDO DEUS LIGA A MÁQUINA DO TROVÃO
UMA PROVA QUE O PAI DA CRIAÇÃO
NUNCA FOI SUPERADO NA GRANDEZA
APRENDI A CANTAR A NATUREZA
PESQUISANDO A HISTÓRIA DO SERTÃO.

APRENDI RECEBENDO A BRISA MORTA
COM ESSÊNCIAS DE FLORES DE JUREMA
LÁ TAMBÉM APRENDI QUE A SIRIEMA
DESAFINA NA VOZ, MAS NÃO SE IMPORTA
AS SEMENTES BROTANDO NUMA HORTA
O BICUDO ESTRAGANDO O ALGODÃO
A RAPOSA DE OLHO NO CAPÃO
E O TETÉU PASTORANDO UMA REPRESA
APRENDI A CANTAR A NATUREZA
PESQUISANDO A HISTÓRIA DO SERTÃO.

SEM TER NÍVEL, COLHER, PRUMO E ESCADA
JOÃO DE BARRO TORNOU-SE UM ARQUITETO
APRENDEU COM JESUS FAZER PROJETO
PRA DEPOIS CONSTRUIR SUA MORADA.
NA BELEZA DA PENA DESENHADA
OUTRA AVE NÃO GANHA DO PAVÃO
FOI PINTADA COM TANTA PERFEIÇÃO
PRA NÃO SER SUPERADO NA BELEZA
APRENDI A CANTAR A NATUREZA
PESQUISANDO A HISTÓRIA DO SERTÃO.

  
APRENDI CAM AS VAGES E ESPIGAS
QUE NOS ANOS DE SAFRA SÃO VINGADAS
O TAPETE DE FOLHAS PINICADAS
NA TESOURA AMOLADA DAS FORMIGAS
COMO O FOGO INVISÍVEL DAS URTIGAS
QUE NA PELE PROVA IRRITAÇÃO
A GARAPA QUE PEGA O GAVIÃO
QUANDO ENCONTRA A NINHADA SEM DEFESA
APRENDI A CANTAR A NATUREZA

PESQUISANDO A HISTÓRIA DO SERTÃO.

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